José Geraldo de Abreu Souza Júnior, vice-presidente da Associação, destaca desafios regulatórios e a importância da padronização para o fortalecimento do setor. Foto: Renato Lopes
O mercado brasileiro de adjuvantes agrícolas, segmento fundamental para a eficiência das aplicações fitossanitárias, tem ganhado maior representatividade com a atuação da Associação Brasileira dos Fabricantes de Adjuvantes Agrícolas (Aplica). Em palestra realizada durante o V Workshop sobre Adjuvantes em Caldas Fitossanitárias, realizado entre 31 de julho e 1º de agosto, em Ribeirão Preto (SP), o vice-presidente da entidade, José Geraldo de Abreu Souza Júnior, ressaltou os esforços da associação para promover credibilidade e maior segurança aos usuários.
Segundo José Geraldo, a Aplica foi criada com o propósito de estabelecer padrões técnicos de funcionalidade para os adjuvantes no mercado nacional, por meio de um selo de certificação que avalia parâmetros físico-químicos dos produtos. “Esse selo traz clareza para o agricultor e outros usuários finais sobre a qualidade e o desempenho dos produtos oferecidos”, explica.
O vice-presidente aponta a fragmentação do setor como um dos principais desafios, consequência da ausência de regulamentação específica para os adjuvantes no Brasil. Atualmente, existem mais de 400 empresas atuando no segmento, com níveis variados de qualidade e diferentes abordagens, o que gera confusão no mercado e dificulta o reconhecimento do real papel dos adjuvantes. “Nosso objetivo é trazer credibilidade através da padronização e da certificação, qualificando o setor como um todo”, acrescenta.
Sobre a relação da associação com órgãos regulatórios, José Geraldo afirma que a Aplica tem buscado ser a voz do setor junto ao Ministério da Agricultura (MAPA), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e também a entidades tributárias, como a Receita Federal. “Atuamos para representar os interesses do setor e contribuir para o desenvolvimento de um mercado mais organizado e transparente”, destaca.
Entre os pilares da associação está a promoção de boas práticas e orientações técnicas para garantir o uso eficiente e seguro dos adjuvantes pelos agricultores. “A clareza sobre o uso adequado dos produtos é fundamental, por isso realizamos treinamentos, recomendações técnicas e participamos de eventos que aproximam o setor produtivo das melhores práticas”, afirma.
O Workshop sobre Adjuvantes em Caldas Fitossanitárias, segundo José Geraldo, desempenha papel essencial ao reunir pesquisadores, empresas e demais agentes do mercado para discutir avanços técnicos, fortalecer parcerias institucionais e fomentar o crescimento do segmento. “Eventos como este promovem o intercâmbio de conhecimento e ampliam o diálogo entre todos os atores envolvidos”, reforça.
Criada em 2023 e oficialmente constituída em 2024, a Aplica surge em um momento em que o Ministério da Agricultura optou por não regular mais os adjuvantes de forma rígida, devido à diversidade e complexidade das funções desses produtos. Essa decisão ampliou o mercado, mas também evidenciou a necessidade de uma entidade que promova a profissionalização do setor. “A associação veio para suprir essa lacuna, trazendo formalidade, padronização e maior credibilidade ao mercado”, conclui José Geraldo.
Em breve, teremos mais informações sobre o tema no E-Nedta.