Ajustes na composição das formulações buscam melhorar eficiência, segurança e adaptação às condições climáticas do Brasil. Foto: Renato Lopes.
Durante o V Workshop sobre Adjuvantes em Caldas Fitossanitárias, realizado no auditório da Faculdade de Direito da USP de Ribeirão Preto entre 31 de julho e 1º de agosto, o papel estratégico dos adjuvantes nas formulações de produtos químicos agrícolas foi um dos principais temas discutidos. Marcos Maziero Malta, coordenador de pesquisa e desenvolvimento da Brenntag, destacou a centralidade da formulação para garantir o desempenho ideal dos produtos no campo.
De acordo com Marcos, a principal função dos adjuvantes é atuar diretamente na qualidade da calda, influenciando suas propriedades físico-químicas para maximizar a eficiência da aplicação. “O adjuvante melhora aspectos como antideriva, espalhamento, emulsificação e resistência à chuva, mas tudo isso está atrelado à formulação correta, que garante o desempenho do produto aplicado”, explicou.
A formulação dos adjuvantes precisa ser cuidadosamente ajustada para diferentes condições agrícolas e ambientais. No Brasil, país de grande diversidade climática e territorial, isso significa adaptar as características da calda para lidar com variações de temperatura, umidade, vento e tipo de solo. Marcos ressaltou que a escolha e o desenvolvimento de compatibilizantes de calda, por exemplo, são cruciais para assegurar que diferentes produtos possam ser misturados e aplicados com eficiência.
Além disso, ele destacou a crescente demanda por formulações que ofereçam proteção contra a radiação UV e que reduzam a volatilidade da água em regiões mais quentes. Essas características ajudam a preservar a eficácia dos produtos aplicados e a manter a umidade necessária às plantas, demonstrando que a formulação não é apenas um aspecto técnico, mas também um elemento-chave para a sustentabilidade.
Marcos reforçou que a formulação de adjuvantes deve ser específica para as misturas que serão aplicadas, uma vez que a diversidade de produtos disponíveis exige compatibilizantes que atendam a diferentes composições químicas e condições de uso. “Temos muitos compatibilizantes, mas precisamos desenvolver formulações que funcionem para misturas específicas, garantindo melhor resultado em qualquer região do país”, afirmou.
O Workshop também proporcionou um espaço para o diálogo entre profissionais de diferentes áreas — química, agronomia, biologia e comercial — sobre os avanços na formulação de adjuvantes. Esse intercâmbio é fundamental para a inovação e para o desenvolvimento de produtos mais eficientes e adaptados às necessidades do campo.
Outro ponto abordado foi a importância da regulamentação para garantir a qualidade das formulações disponíveis no mercado. Após a desregulamentação em 2017, o setor viveu um aumento expressivo na oferta de adjuvantes, mas sem critérios técnicos claros. Marcos ressaltou que o evento é uma oportunidade para discutir a retomada de regras que valorizem formulações com base científica e qualidade comprovada.
Por fim, a discussão evidenciou que o avanço na formulação dos adjuvantes é essencial para otimizar o desempenho dos produtos fitossanitários, aumentar a eficiência das aplicações e contribuir para uma agricultura mais sustentável, alinhada com as exigências técnicas e ambientais.
Em breve, teremos mais informações sobre o tema no E-Nedta.